Somos seres olhados Quando os nossos braços ensaiarem um gesto fora do dia-a-dia ou não seguirem a marca deixada pelas rodas dos carros ao longo da vereda marginada de choupos na manhã inocente ou na complexa tarde repetiremos para nós próprios que somos seres olhados E haverá nos gestos que nos representam a unidade de uma nota de violoncelo E onde quer que estejamos será sempre um terraço a meia altura com os ao longe por muito tempo estudados perfis do monte mário ou de qualquer outro monte o melhor sítio para saber qualquer coisa da vida Ruy Belo, in "Aquele Grande Rio Eufrates"